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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

IMPRESSIONISMOS I – Lerner e o Banco Mundial

IMPRESSIONISMOS I – Lerner e o Banco Mundial

Mais uma vez mudava de rumo. A década dos 60 encerrada, como seriam os anos 70? Aproveitei uma chance e saí de Syracuse para vasculhar oportunidades no calor de agosto em Washington. Não lembro se conhecia alguém, mas o certo é que, na hora do almoço, fiquei vagueando pelos corredores do Banco Mundial para sentir o ambiente.  De repente, vi a palavra CURITIBA. Porta aberta, lá fui eu. As paredes da sala estavam cobertas por projeto para ônibus diferenciado que andava em pista exclusiva, com ruas em paralelo para carros e urbanização com densidade decrescentes. Conceitos, propostas e detalhes maravilhosamente bem apresentados. E estava a linda Inês posta em sossego quando entrou o dono da sala. Um especialista em transporte urbano com PhD de Berkeley, mas sem a competência de muitos amigos meus ... Em sua primeira fala rejeitou o projeto do IPPUC porque o funcionamento das portas não atendia a não sei o quê. Este foi meu primeiro contato com o projeto de um tal Jaime Lerner e IPPUC.

Acontece que Reis Velloso apoiou o projeto experimental de Jaime, os resultados foram positivos e a CNPU, aonde cheguei em 1974, com a EBTU, investiram em Curitiba. Em 1978 fui para Presidência da EBTU e, com apoio financeiro do Banco Mundial, implantamos corredores exclusivos em regiões metropolitanas e aglomerados urbanos por todo o país, mas sem vincular uso do solo e corredores, como em Curitiba. Com Flecha de Lima nas Relações Exteriores, os corredores de ônibus tornaram-se produto de exportação para América Latina e coqueluche mundial.

Com a municipalização da Constituição-Cidadã no Brasil, em 1988, as empresas de ônibus retomaram o domínio do transporte urbano e só municípios muito ricos melhoraram seus sistemas modais. Na América Latina, Bogotá assumiu a liderança na operação de corredores e quando fui para a Venezuela, no final dos anos 90, a tarefa da equipe era implantar melhorias e corredores com recursos do BID e BIRD. Depois, corredores viraram BRTs e PACs financiaram as obras de engenharia, sem incluir ônibus ou exigir o mais importante: a operação!

No frigir dos ovos, o PhD do Banco Mundial estava errado, Lerner estava certo e tive sorte quando decidi retornar ao Brasil e enfrentar o IPM que havia deixado nas costas. Mas isso é outra estória.... Não podia prever o que iria acontecer!
                                       
Jorge Guilherme Francisconi

Brasília, novembro de 2016

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